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    Ralei duro para ser Juíza de Direito. Cheguei a estudar 12 horas por dia em busca da concretização do tão almejado sonho. Abdiquei de festas, passei feriados em frente aos livros, perdi momentos únicos em família. Sim, o esforço pessoal contou. Mas dizer que isso é mérito meu soa, no mínimo, hipócrita. 

    Em primeiro lugar, nasci branca. Faço parte de uma típica família de classe média. Estudei em escola particular, frequentei cursos de inglês e informática, tive acesso a filmes e livros. Contei com pais presentes e preocupados com a minha formação. Jamais me faltou café da manhã, almoço e jantar. Nunca me preocupei com merenda ou material escolar. 

    Todos têm suas lutas e histórias de vida. Todos enfrentam dificuldades e desafios. Porém, enquanto para alguns esses entraves não passam de meras pedras no caminho, para outros a vida em si é uma pedra no caminho. 

    Meu esforço individual contou, mas eu nada seria sem as inúmeras oportunidades proporcionadas pelo fato de ter nascido – repito – branca e no seio de uma família de classe média minimamente estruturada. 

    O mérito não é meu. Na linha da corrida em busca do sucesso e realização, eu saí na frente desde que nasci. Não é justo, não é honesto exigir que um garoto que sequer tem professores pagos pelo Estado entre nessa competição em iguais condições. Nunca, jamais estivemos em iguais condições.

    O discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. A meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social e produz esquecimento – quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar onde chegou.

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    Juíza de Direito: Fernanda Orsomarzo
    Explodiu massivamente, em várias redes sociais, a análise da juíza Fernanda Orsomarzo, do TJ-PARANÁ, onde ela desmancha com a meritocracia e joga elementos da realidade socioeconômica de sua própria vida para justificar seu sucesso pessoal.

    Branca, nascida classe média alta, estudou só em escolas particulares, estudou inglês e informática, nunca se preocupou com o café da manhã, com almoço ou janta. Sempre teve dinheiro para comprar bons livros. O resultado disso tudo, é ela mesma.

    É a manifestação mais coerente e corajosa que vejo em toda minha vida.

    Ela joga com elementos sociais e econômicos e traça um paralelo entre ela própria e as demais pessoas que não têm o mesmo acesso ao conhecimento e aos bens materiais da vida.

    A Doutora Fernanda é um exemplo de mulher, de juíza e de cidadã. Botou o dedo na ferida da meritocracia, que é, em última instância, um blefe. 

    Não adianta nos apegarmos num exemplo de um pobre, catador de lixo, que chegou lá. Isso é apenas um, uma exceção, dentre milhares. 

    A regra é sempre a mesma: os mais bem aquinhoados, os melhores formados, os que podem estudar, esses galgam os melhores cargos nas carreiras de Estado e têm padrões de vida melhores estruturados. 

    Alguém acha que os aluninhos ali da Bonatto e do Monsenhor, vão chegar Magistratura, ao MP ou mesmo a defensoria pública?

    Pode até, um outro, terminar o ensino fundamental ... quiça um ou outro virou bacharel em Direito e trabalhar de ajudante de alguém escritório.

    Eu travei um embate muito grande com ex-esposa sobre a Nina. Para mim, Nina devia seguir estudando na Escola da URI. Para ela, o melhor era Nina estudar no Colégio Marechal Rondon, no interior do interior de Maçambará. Esse debate, não tem nada a ver com inteligência. Tem ver - sim - com limitações impostas às pessoas. Alguém acha que é possível cotejar a formação de uma criança formada na URI ou no Medianeira, com uma criança formada em escola de periferia, seja de Santiago, seja de Maçambará?

    Os alunos da URI, em sua grande maioria, saem do ensino médio e são aprovados em vestibulares de federais. O mesmo raciocínio, vale para o Medianeira. 

    O ser-melhor, e isso a juíza levanta com maestria, não está associado à inteligência e - sim - as determinações sociais e econômicas das famílias. 

    Ela repete, talvez até sem ler, a III Tese sobre Feurbach.

    Os concursos para a magistratura nivelam todos por baixo, como se todos tivessem as mesmas origens acadêmicas. Um bacharel em direito formado pela UFRGS, competindo com um bacharel em Direito formado pela URI, vai um abismo. Só alguém muito tolo para negar essa cruel realidade.

    O que se vê nos exames de ordem. A UFRGS tem um índice de aprovação de 90%. Aqui, no última exame, XIX, não teve nenhum aprovado. O resultado definitivo do XX exame ainda não saiu.

    É claro que o meio determina os rumos da criança e do adolescentes. 

    Também não estou fazendo apologia às federais, eis que comunitárias e confessionais formam bons alunos. Nossas duas juízas locais são oriundas da PUC e da UNISC. Mas - é claro - essas faculdade de Direito têm professores de nível elevado, são oriundos de federais e elas sempre tiverem pais e suporte familiar e afetivo por trás. 

    De qualquer forma, Fernanda, essa juíza corajosa, abriu um debate relevantíssimo para a sociedade brasileira, não só para a comunidade jurídica, mas para todos nós, em nossos sonhos e nossas buscas para um curso superior. 

    Ela balizou as metas e deu o diagnóstico perfeitíssimo. 





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    Por Romeu Karnicoviski/advogado, Doutor e Pós-Doutor em Sociologia. Professor da PUC.



                Sem dúvida, o combate travado no passo das Traíras, na ensolarada manhã do dia 6 de novembro de 1894, é o mais glorioso, significativo e enaltecedor feito de armas do 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar – atual 2º BPM sediado em Rio Pardo – onde o jovem alferes Emerenciano Luiz Braga, um dos mais legendários oficiais da força gaúcha, imortalizou o seu nome. Fazia quase dois anos da revolução, onde republicanos– também denominados de castilhistas, florianistas, de pica-paus e mais raramente de legalistas – e os federalistas, também chamados de maragatos ou libertadores, se digladiavam em uma guerra civil de grande proporção. A Brigada Militar foi criada em 15 de outubro de 1892, como o exército estadual de Júlio de Castilhos, constituindo na poderosa e temida milícia dos republicanos. No dia 21 de outubro, foi criado o 1º batalhão de infantaria, dividido em quatro companhias e a 10 de novembro de 1892, foi criado o 1º regimento de cavalaria fragmentado em quatro esquadrões, sob o comando do capitão do Exército Fabrício Batista de Oliveira Pillar, comissionado no posto de tenente-coronel. Cipriano da Costa Ferreira, era então capitão do Exército, comissionado no posto de tenente-coronel para comandar o 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, criado em fevereiro de 1892, quando já havia eclodido a Revolução Federalista. O major Miguel José Pereira escreveu o seguinte sobre a criação do 2º batalhão em 15 de fevereiro de 1893:


    A 15, foi organizado o 2º batalhão de infantaria e nomeado comandante, na mesma data, com a graduação de tenente-coronel, o capitão do Exército, dr. Cipriano da Costa Ferreira.

    “Quartel do Comando da Brigada Militar do Estado, em Porto Alegre, 15 de fevereiro de 1893.

    ORDEM DO DIA Nº 39

    Tendo se apresentado a este comando o capitão do Exército Cipriano da Costa Ferreira, que por ato de hoje do ilustre dr. Presidente do Estado, foi nomeado tenente-coronel comandante do 2º batalhão, determino que o organize hoje com os oficiais seguintes, também hoje pelo mesmo ato nomeados: ESTADO-MAIOR Tenente-coronel comandante– o capitão do Exército Cipriano da Costa Ferreira. Capitão ajudante, com a graduação de major – capitão Elias José Soares. Alferes secretario– Alcebíades Pedroso de Albuquerque. Alferes quartel-mestre– Adolfo Guedes de Figueiredo Menezes.   


                Dessa forma, a Ordem do Dia 39, de 15 de fevereiro de 1893, criou deu origem ao 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, dividido em quatro companhias, sendo a 1ª comandada pelo capitão Joaquim Vicente Machado; a 2ª pelo tenente, comissionado no posto de capitão Juvêncio Xavier de Abreu; a 3ª pelo tenente, comissionado no posto de capitão João Machado de Morais Sarmento e a 4ª pelo capitão Eduardo de Morais Palma. Este batalhão, assim que criado, partiu para Caçapava, com 12 oficiais e 125 praças, para enfrentar os federalistas que ocupavam a cidade. E a partir daí, o 2º batalhão, participou intensamente da guerra civil, sempre ao comando do tenente-coronel Cipriano da Costa Ferreira. É interessante observar que o 1º batalhão de infantaria foi com efetivo de oficiais e praças basicamente oriundos da extinta Guarda Cívica enquanto que o 1º regimento e o 2º batalhão com oficiais do Exército. Assim, a Brigada Militar, criada em 15 de outubro de 1892, pelo então Presidente em Exercício do Estado, Fernando Abbott, por determinação de Júlio de Castilhos – que é o verdadeiro pai da milícia gaúcha - ficou fatiada em três dimensões: o corpo ativo ou regular; os corpos de reserva e os corpos provisórios.


    A BRIGADA MILITAR criada em Outubro de 1892

    Corpo Ativo ou Regular da BM

    Corpos da Reserva da BM

    Corpos Provisórios da BM

    1º Batalhão de Infantaria

    1º Regimento de Cavalaria

    2º Batalhão de Infantaria

    3º Batalhão de Infantaria

    1º Batalhão de Infantaria da Reserva da BM

    2º Batalhão de Infantaria da Reserva da BM

    1º Regimento de Cavalaria da Reserva da BM


    1º Corpo Provisório da BM

    2º Corpo Provisório da BM

    3º Corpo Provisório da BM e assim por diante, sendo o de Santa Maria, o famoso 11º Corpo.  


                Essa força formidável, criada em 1892 e comandada predominantemente por oficiais do Exército, tornou-se uma verdadeira máquina de guerra, durante a Revolução Federalista. Além das unidades do corpo ativo, permanecem célebres, nos memoriais militares, o 1º batalhão de infantaria da Reserva da BM, do tenente-coronel Utalis Lupi, que foi destruído no Combate do Rio Negro em novembro de 1893, junto com seu comandante e o 2º batalhão de infantaria da reserva da BM, comandado pelo jovem tenente-coronel Afonso Emílio Massot, que ganhou reconhecimento militar no Sítio de Bagé entre novembro de 1893 e janeiro de 1894, pelas tropas federalistas do general Joca Tavares. E os federalistas, também chamados de maragatos ou libertadores tornaram-se inimigos com surpreendentes capacidades militares. O Exército Libertador (federalista) tinha como principais chefes militares, o extraordinário general Joca Tavares, o legendário coronel Gumercindo Saraiva, os generais Isidoro Dias Lopes e Luiz Salgado e os coronéis (vários com patentes de general do Exército Libertador) Aparício Saraiva, Guerreiro Vitória, Antero Cunha, Prestes Guimarães, Juca Tigre, David José Martins, Rafael Cabeda, Ulisses Reverbel, Torquato Severo, Dinarte Dornelles, Ubaldino Demétrio Machado, Marcelino Pina, Laurentino Pinto Filho, Estácio Azambuja, Inácio Cortez, Mateus Collares, Franklin Cunha, José Serafim de Castilhos, Manoel Machado Soares, Francisco Cabeda, Domingos Ferreira, Epaminondas de Arruda, Vasco Martins, almirantes Saldanha da Gama e Custódio de Mello entre outros lideres maragatos, além de Gaspar Martins, Demétrio Ribeiro e Barros Cassal. No início de novembro de 1894, ele marchou à testa do seu castigado 2º batalhão, para fazer junção com a coluna do coronel Pantaleão Telles de Queiroz, comandante-geral da Brigada Militar, em algum ponto  do vasto município de Bagé. O 2º batalhão de infantaria, durante muito tempo, constituía a vanguarda da 1ª brigada da Divisão do Centro. A presença do coronel maragato Mateus Collares, fez a coluna de Cipriano se desviar e ao transpor o passo das Traíras (Bagé), na manhã do dia 6 de novembro, o 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar encontra a vanguarda da coluna do valoroso coronel (general) Zeca Tavares (irmão do general Joca Tavares).

     Sem demora, o tenente-coronel Cipriano manda formar quadrado, formação clássica que dominou os campos de batalha da Europa desde o século XVI, com a invenção dos terços ou quadrados espanhóis e findou com o advento das metralhadoras, travando uma luta intensa, suportando as cargas de cavalaria dos federalistas, onde brilhou a coragem sem igual de vários oficiais maragatos: tenentes-coronéis Fidélis Fagundes e Adão Latorre, majores José Francisco Machado e Damásio Sarmento, capitães Ribeiro Sales, Eleutério de Mello e principalmente, do lendário capitão Sagaz, sem falar dos soldados federalistas que demonstraram coragem assombrosa no combate que se seguiu. João Máximo Lopes, notável pesquisador, tal como Homero na Iliada, que narra os duelos entre os guerreiros aqueus e troianos, entre os quais de Aquiles e Heitor ou como o polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), principalmente, no seu livro A Ferro e Fogo, onde ele descreve os duelos entre hussardos poloneses e cossacos revoltosos, descreve o mais famoso duelo de toda a guerra civil, entre o capitão federalista Sagaz com sua lança e o alferes da Brigada Militar Manuel Lourenço brandindo seu sabre. 


    Esse combate singular, verdadeiro retrato da coragem infinita de um homem que não teme a morte. O que está narrada a seguir advém do campo da imaginação e da lenda. As tropas dos dois lados se perfilaram em silencio aterrador para assistir com ansiedade o combate entre os dois bravos. De um lado, os soldados da Brigada Militar com seus uniformes onde predominavam as cores brancas e azul ferrete, torcendo pelo alferes Manuel Lourenço e de outro os soldados federalistas, altivos em seus cavalos com suas vestimentas variadas e suas lanças para o alto, acompanhando os movimentos do seu bravo capitão. Entre os soldados do 2º batalhão, destacava-se a figura do tenente-coronel Cipriano com seu gibão militar azul-ferrete e suas bombachas escuras, perfilado em silêncio com seu sabre em punho. Do lado federalista, parecendo um centauro, estava o general Zeca Tavares, empunhando as rédeas do seu cavalo, chapéu de feltro, casaco escuro tendo bordado um desenho em verde e amarela nos seus ombros, indicando seu posto militar e também bombachas, marcadas pelas suas botas sanfonadas e o lenço vermelho no pescoço. Hegel escreveu, em célebre capitulo da sua Fenomenologia do Espírito, onde ele narra a dialética entre o senhor e o escravo. O primeiro tornou-se senhor porque não teve medo da morte e o segundo foi escravizado porque teve medo de morrer. Ali, naquela manhã de 6 de novembro de 1894, junto ao passo das Traíras, entre os municípios de Lavras e Bagé, deu-se o combate entre os dois campeões: o primeiro, federalista com sua lança e o segundo republicano com seu sabre .

     O duelo entre os dois homens livres, que sintetizavam ali toda bravura e coragem do universo, findou com os dois retalhando-se até a morte com o olhar atônito dos soldados dos dois lados. Ao cabo do combate, restaram no terreno, os corpos ensangüentados e inertes do bravo alferes Manuel Lourenço da Brigada Militar e do legendário capitão Sagaz, um dos mais temidos e corajosos soldados guerreiros federalistas, cuja bravura e perícia em combate era exaltada pelos próprios adversários, um dos poucos maragatos tratados com respeito e sem pejorativos nos jornais republicanos da Capital. Depois do duelo, onde cada parte recolheu os corpos dos seus campeões, o combate tornou-se mais intenso e virulento até o início da tarde. O batalhão em ordem e calma impressionante alcançou a casa de uma estância e ali se entrincheirou para repelir um a após outro os ataques dos federalistas, tendo grande número de baixas de ambos os lados. As tropas do coronel Zeca Tavares, depois de uma luta encarniçada se retiraram no início da tarde, estando entre os mortos, o lendário capitão Sagaz, perda irreparável para os federalistas. Cabe ressaltar que o major Miguel José Pereira não faz referencia ao duelo entre Sagaz e Manuel Lourenço. O Combate das Traíras foi o feito de armas mais exultante e glorioso do 2º batalhão da Brigada Militar, onde brilhou a estrela do tenente-coronel Cipriano Ferreira, que mais tarde comandaria a milícia gaúcha, por mais de seis anos, entre 1909 e 1915, e alcançará a patente de general-de-divisão do Exército; e a bravura inigualável do jovem alferes Emerenciano Braga, de São Luiz Gonzaga, que virá a ser um dos mais cantados heróis da força gaúcha, se aposentando da mesma, como tenente-coronel. Todos os jornais de Porto Alegre, durante muito tempo, publicaram artigos e referencias ao Combate das Traíras, página épica da Revolução Federalista. Os jornais da Capital, em sua grande maioria republicanos ou castilhistas, narravam esses combates com cores de dramaticidade e epopéia, decantando os feitos militares dos militares legalistas. Entre os artigos, nos jornais da Capital destacamos, destacamos o seguinte publicado no jornal Gazeta daTarde, na sua edição de 6 de novembro de 1895, escreveu sobre esse glorioso feito dos federalistas e do 2º batalhão de infantaria da Brigada Militar, cujos acontecimentos haviam ocorridos exatamente um ano antes:   


    COMBATE DAS TRAIRAS


                É hoje o aniversário do encarniçado combate ferido no passo das Traíras. Este feito de armas é um padrão imorredouro erguido à sua glória pela invicta brigada militar do Estado. Se esses destemidos legionários não tivessem assinalado seu valor nos outros recontros, não menos disputados, em Santa Catarina, Paraná e neste Estado, bastam-lhe a resistência no combate das Traíras para sagrá-los heróis. Como este feito de armas não é bastante conhecido, vamos seguir a singela, mas integra narração, feita por distinto oficial do exército que se achou no campo do conflito no exercício de elevada comissão. Eis a sua narrativa:

                “A 30 de outubro (1894), o 2º batalhão que marchou fazendo parte da coluna sob as ordens do coronel Joaquim P. Telles, depois de, com a mesma coluna, ter passado junto a Lavras, retrocedeu do passo do Hilário, vindo sob o comando do tenente-coronel Cypriano da Costa Ferreira amanhecer naquela villa. A 31 reuniu-se à coluna, para a tardinha, novamente marchar só, acompanhado de um piquete do 2º regimento (cavalaria) da reserva (brigada militar); e marchou isolado até 2 de novembro, data em que se reuniu à brigada. A 3 destacou novamente acompanhado do mesmo piquete, e acampou no passo da Areia, sob o rio Camaquã e a 5 acampou no Rincão das Palmas. Ai o tenente-coronel Cypriano, entendeu-se, por intermédio de um próprio, com Matheus Collares, em cujo campo nos achávamos, e convidou a esse revolucionário a apresentar-se sob garantias seguras. Esse chefete respondeu que não o poderia fazer e aconselhou o tenente-coronel Cypriano a retroceder, visto como o general Zeca Tavares achava-se perto com uma coluna de 800 homens, e que ele próprio Matheus, tratava de nos flanquear, para o que possuía 100 a 200 homens e para cujo serviço empenhara a sua palavra, caso contrário aceitaria.


                Informado o tenente-coronel Cypriano, do que havia, não lhe era fácil retroceder, muito principalmente tendo ordens para encontrar-se com o coronel Pantaleão Telles (comandante da brigada militar), naquela direção, onde justamente se preparava o pretenso general Zeca Tavares para combater-nos. Ainda mesmo que não houvesse semelhante ordem, não era caso de um chefe recuar devido a informações por demais suspeitas, como eram as de Matheus Collares. A 6 de novembro, pois, o batalhão tendo à frente um ‘vaqueano’ do lugar, marchou as 4 horas da madrugada mais ou menos, com direção ao passo das Traíras, afim de tomar a estrada mais próxima do ponto em que devia reunir-se ao coronel Pantaleão.


                Fazia uma manhã lindíssima, com um belo sol. Haviamos transposto o passo acima, e tendo já caminhado algumas horas seguidas, fez-se parada para reunir o pessoal, e descansar-se um pouco. Reunido que foi, o pessoal, não havíamos caminhado 2 kilometros, e eram 7 ½ horas, quando o piquete de cavalaria que fazia a vanguarda do batalhão, avistou o inimigo em dois pequenos piquetes. Avançou, pois nosso piquete em linha de atiradores fazendo fogo, recuando os piquetes inimigos. Logo após avistou-se a pouco menos de 2 kilometros, ao redor do batalhão que ocupava o centro, mais de 8 piquetes, repontando todo o gado para fora do círculo em que nos pretendiam sitiar. Escolheram o melhor do campo, um local completamente aberto, existindo neste círculo, para a esquerda um, pequeno rancho de palha e a estância de Estácio Vieira, genro de um dos Tavares. Às 8 horas, mais ou menos, o batalhão avistava a coluna de Zeca Tavares que por todos foi logo calculada em 800 homens.


                O batalhão, seu chefe à frente e seus oficiais a postos, avançava serenamente, tendo sido logo medidas quais as conseqüências de um combate tão desigual em número de combatentes. O valoroso alferes secretário do batalhão Rufino Thomaz Pereira que se achava bem montado galopou na vanguarda e foi até em cima da coxilha, uns 30 metros, e voltou imediatamente, prevenindo ao comandante e fiscal que uma carga de uns 200 lanceiros estava preparada, na baixada da coxilha, e onde se fazia infernal algazarra. O batalhão imediatamente formou quadrado e esperou. Uma legião de 215 homens, esperava calmamente, resolutamente, o encontro de uma força que se calculava ter quatro vezes o nosso pessoal e além de tudo à cavalo.


                Avistou-se logo após, descerem à direita do quadrado a 300 metros calculadamente, um grande esquadrão de atiradores e à esquerda e retaguarda, como de 300 a 400 lanceiros. Estes vinham na certeza de envolver o batalhão, talvez em uma só carga, tal o modo precipitado por que chegaram, tão confiados que vieram a 2 metros do quadrado fazendo molinete com as lanças. O batalhão esperou. Nem um murmúrio, joelho em terra a primeira fileira. O fogo foi tremendo em três faces do quadrado! E como solto por um só homem repercutiu um ardoroso viva! – Era à República que saudavam os nossos bravos soldados.


                O inimigo que viera altaneiramente, recuou horrorizado, deixando o campo juncado de feridos e mortos. É que não haviam suposto tão enérgica resistência em tão insignificante número de homens. Tornou-se, então, medonho o combate, só se pedia vidas e sangue. As cargas dos audaciosos negros Fidélis, Adão e Sagaz e outros sucederam-se quatro, seis ou doze vezes e tantas foram rechaçadas, sem em nenhuma delas nos ferir mais que três ou quatro indivíduos, isto mesmo já ao entrar o quadrado na porteira de uma mangueira da casa. O batalhão serenamente retirou, a passo, ajoelhando para receber as cargas, e mais fogo não pode fazer, porque cada praça não tinha mais que 160 cartuchos, que era preciso economizar. Chegados à casa, organizou-se linhas de atiradores, fazendo-se ligeiro entrincheiramento, de pedras e barricas. O inimigo atacou a pé a casa por 4 a 6 vezes e sempre repelido com perdas, abandonou o intenso e retirou-se, após o que nos enviaram parlamento. Eram 4 sujeitos conduzindo uma bandeira branca, e que não lograram chegar a 50 metros da casa, pois foram recebidos a bala, entre vivas a Floriano e Júlio de Castilhos.


                É que estávamos bem lembrados da hecatombe do Rio Negro ainda onde foi algoz o mesmo Zeca Tavares. Não se podia esperar senão traição e antes disso está o cumprimento do dever militar. Repelidos, pois, nessa pretensão, fizeram o último ataque à casa a cavalo e a pé. Eram de 20 a 30 homens que furiosamente se lançavam a morte. E com efeito, ai tombaram quase todos, escapando uns 6 a 8 homens. Último foi esse esforço! Convencidos da ineficácia do plano negro que haviam sugerido - fizeram retirada, e à 1 hora da tarde terminava o sangrento combate – das Traíras – ficando o campo coberto de cadáveres, os nossos na maioria – degolados.


                Teve o batalhão 74 baixas, sendo mortos 3 oficiais e 32 praças, feridos 7 oficiais e 32 praças. O valente piquete do 2º regimento (cavalaria) da reserva (da brigadamilitar) teve 1 oficial e 12 praças mortos e mais 13 praças feridas; ao todo 100 homens. Às 5 horas da tarde tendo chegado ao lugar do combate o coronel Pantaleão Telles com o 13º batalhão e o 2º (batalhão) da reserva (da brigada militar) foi recebido pelos 100 homens que restavam em formatura geral do batalhão. Gazeta da Tarde: Porto Alegre - 6 de novembro de 1895.


    BIBLIOGRAFIA


    FRANCO, Sérgio da Costa. A Guerra Civil de 1893. 2ª ed. Porto Alegre: Renascença; Edigal, 2012.


    GAZETA DA TARDE – Porto Alegre: edição de 6 de novembro de 1895.


    KARNIKOWSKI, Romeu Machado. De Exército Estadual à Polícia Militar: O Papel dos Oficiais na Policializaçãoda Brigada Militar (1892-1988). Porto Alegre: tese de doutorado; sociologia, UFRGS, 2010.


    PEREIRA, Miguel José. Esboço Histórico da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Oficinas Gráficas da Brigada Militar, 1950.





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  • 09/09/16--17:38: Significado do nome NINA
  • Nina: Significa "menina", "graciosa", "protetora da fertilidade e mares", "fogo".
    O nome Nina pode ter diversas origens diferentes. Nina é normalmente usado como diminutivo de nomes com essa terminação, como Antonina e Giannina, de origem italiana.
    Nina era também o nome da deusa da fertilidade Assíria e Babilônica, divindade padroeira da cidade de Nínive, mas não se conhece ao certo o significado da palavra. Acredita-se que possa significar "cativeiro de peixes", sendo equivalente à deusa-mãe Ishtar.
    Outro possível significado pode ter surgido a partir da língua indígena Quíchua, em que Nina significa "fogo".
    Pode ser também uma variação do espanhol niña, que quer dizer simplesmente "menina".
    Por fim, o nome pode ser considerado por alguns como um diminutivo do nome Ana, e assim receberia o significado de "graça" ou "graciosa", tal como esse nome hebraico.
    Ainda que não seja possível confirmar o seu étimo, trata-se, sem dúvida, de um bonito nome predominantemente feminino, que é popular no nosso país. Além de refletir uma série de simbologias - tal como a do fogo: vida, iluminação -, reflete os sentidos de dádiva ou oferta.
    Uma das personalidades mais populares com este nome é a cantora, compositora, pianista e ativista pelos direitos humanos, Nina Simone. 

    Origem do Nome Nina

    Outras Informações do Nome Nina


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  • 09/09/16--20:24: Impeachment de Prefeito?
  • Um grupo de alunos da URI me consultaram, via face, se é possível ou não o impeachment de prefeito Municipal.

    É evidente que sim. Sem a menor sombra de dúvida. 

    Pelo Princípio de SIMETRIA, tal é plenamente possível. O professor que ensinou isso, desconheço de quem se trata, está totalmente errado. É por isso que acontecem os resultados vergonhosos a cada exame de ordem. 



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    Já é público de todos que renunciei qualquer direito sobre minha minha filhinha e meu direito à paternidade.

    Há dois anos, num contexto de seis, o sofrimento e a tortura mental a que Nina é submetida, devido aos constantes desacertos, não indicavam outro caminho. Alguém precisava ser penalizado. E, para não prolongar a dor e a angústia, nem destruir sua infância, ciente de que a renúncia é também um ato de amor, preferi abrir mão de tudo, sendo que oficiei minha posição ao poder judiciário de Itaqui no último dia 13 de agosto. 

    Eu sinto uma dor muito forte por tudo isso. Sei o pai que fui e sei o amor que tive e que tenho dentro de mim. Mas só isso não basta. A escolha por seguir o embate, implica em sofrimentos cada vezes maiores para Nina. 

    O que sobrou de minha vida, era ela. Deus, que tudo sabe e tudo vê, conhece a verdade do meu coração. Deus sabe de todas as minhas ações, atos, gestos e atitudes. 

    É claro que meu mundo se tornou mais frio, mais cinzento, sem graça e sem alegria. Mas fiz a escolha. Enquanto eu estiver, com Vida, aqui na Terra, carregarei-a dentro de mim. 

    Todos nós que escrevemos, escondemos nossas derrotas e não assumimos nossos fracassos. Eu penso diferente. A vida é uma somatório de derrotas e de vitórias. Eu fui derrotado na minha então união nupcial e também - derrotado - agora, na disputa pelo direito de conviver com minha filha. Seguir com o embate judicial, é mais desgaste para Nina, pois nossas divergências respingam sempre nela. 

    O círculo de escorpião no qual ela está inserido é maior que a minha força solitária. Eu não tenho família, vivo sozinho e por isso, depreciado. Eu não escolhi a família que nasci, não escolhi meus pais. Sou um incidente genético, como todos os demais. Uns tem mais sorte, pois nascem em famílias grandes, com familiares ao redor. Outros, nascem para terem seus dias na Terra de forma solitária. É o karma, a cruz, o destino, de cada um de nós. É como a hora da morte, a gente não escolhe. 

    Estou recluso de praticamente tudo. Só vou a dois lugares: meu quarto e meu escritório. Meus amigos que perguntam por mim, respondo: esse é um momento muito meu, vivo a maior dor de todos os tempos, perdoem-me, se matei meu último sorriso. Foi meu destino. Foi o que a vida me preparou. Preciso conviver com a dor da falta e angústia permanente. 

    Deus, que tudo sabe e tudo vê, sabe que eu sempre falei a Verdade, de frente, sem medo. Mas a vida não é assim, o jogo de cinismos, as mentiras, as malversações, muitas vezes triunfam. 

    Vou tentar sonhar colorido mais uma noite. De cinzento, chega o dia, a realidade, cruel e massante. A dor. A dor indescritível. 



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  • 09/10/16--13:57: MURAL ELETRÔNICO
  • Uma sugestão que eu faço aos candidatos, majoritários e proporcionais, é fazer uma consulta diária no Mural (ou painel) eletrônico do TSE, linkando com o RS e chamando o nome da cidade.

    Acompanhei um caso, recentemente, da grande Santa Maria, que um candidato não respondeu tempestivamente a um questionamento do cartório eleitoral.  Tomou tufo.

    Portanto, não deixam de olhar, nunca o moral eletrônico. É só clicar no link abaixo:

    http://www.tre-rs.jus.br/index.php?nodo=15829

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    Estado de São Paulo / Fonte


    O processo de votação eletrônica adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é suscetível a fraudes, afirmou hoje o consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) para sistemas eleitorais Evandro Oliveira, que apresentou palestra na capital gaúcha, durante o III Fórum Internacional Software Livre. "É uma falácia a afirmação de que o sistema eleitoral e os programas da urna eletrônica são 100% seguros", declarou. Além de apontar alguns pontos que considera frágeis, Oliveira questionou a transparência do sistema, apresentou propostas para corrigir as falhas e defendeu a necessidade de implantar a recontagem de votos.

     "A quem interessa a rapidez na divulgação de resultados que não possibilitam auditoria e não prevêem a hipótese de recontagem de votos?", indagou. "Nas últimas três eleições com urna eletrônica, a palavra das pessoas é a única garantia dada para a integridade do processo", afirmou, ressaltando que o sistema estruturado pelo TSE coloca a segurança nas mãos de poucos, "que não sabemos quem são". 

    A observação motivou um trocadilho com o nome da palestra de Oliveira: "La garantía soy yo". Críticas ao TSE O TSE, em sua avaliação, prefere trabalhar com um método "obscurantista" de proteger o sistema eletrônico. Segundo o consultor, a utilização do chamado software livre, no qual o código-fonte do programa é de domínio público, é a forma de dar transparência ao sistema informatizado. 

    Ele apontou que nem mesmo o TSE conhece inteiramente o código-fonte utilizado pelos programas fechados que utiliza na eleição. Com o software livre (ou aberto), além de transparência há economia, ao reduzir ou eliminar o custo pago pelas licenças de uso, e é possível realizar uma auditoria completa nos programas. Oliveira disse que o TSE tem colocado obstáculos às auditorias. Ele destacou que o Brasil é o único país a contar com uma eleição totalmente informatizada. Mais de 50 nações vieram conhecer o sistema, mas nenhuma quis adotar, além do Paraguai, que decidiu fazer uma experiência, observou Oliveira. 

    O consultor também recordou as críticas feitas em eleições anteriores em relação ao processo de identificação do eleitor, que é executado na mesma urna onde seu voto será registrado, e desmentiu a noção de que todo o sistema é criptografado. Segundo explicou Oliveira, até às 17h do dia da eleição, quando a votação é encerrada, "não há nada criptografado". A partir deste momento, é gerado um disquete com dados criptografados, que serão transmitidos. 

     Ele chamou a atenção para a queda "assustadora" nos votos brancos, nulos e abstenções depois da introdução da urna eletrônica. "As pessoas mudaram os sentimentos cívicos depois da urna eletrônica?", questionou. Apesar das críticas, Oliveira ressaltou que não é a favor do retorno do sistema manual de votação, mas sim do aperfeiçoamento do voto eletrônico. Segundo ele, o método antigo consolidou fraudes durante décadas, que foram eliminadas pela urna eletrônica, mas novas fragilidades surgiram. Oliveira citou dois casos de problemas constatados na eleição informatizada, registrados nos municípios de Camaçari e Santo Estevão, na Bahia. No primeiro, a falha foi detectada no recadastramento, pois um terço dos eleitores eram fantasmas, disse ele. 

    No segundo, foram encontradas várias irregularidades na urna, como o fato de ela ter sido ligada a quatro dias da eleição sem justificativas, afirmou o consultor, que participa do "Fórum do Voto Eletrônico", espaço de discussão na Internet. Outro ponto importante é a necessidade de parte da sociedade ter acesso a todo o processo de votação eletrônica, sugeriu o consultor. Ele propôs que os partidos ou especialistas devam ter conhecimento de todos os passos, para permitir um exercício "de fiscalização efetiva".

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    Sou apenas um observador. Sei fazer a devida leitura do movimento político, do deslocamento e forças, das novidades, dos lances sagazes capazes de alterar um rumo ou não.

    Nem programas de rádios se gravam mais. Repetem-se as repetições. O PP, só fala na Pesquisa Index e Tiago agradece. Até a linha propositiva foi abandonada. Não existe mais paixão e nem empolgação. A apatia é generalizada. O resto é a sequencia do velho ritual. Carro de som para fazer de conta, esquálida militância paga, acomodação geral. 

    É claro, existe o faz-de-conta Mas, não passa disso.

    O PP adormeceu, praticamente abandonaram a campanha e a crença no resultado da Pesquisa Index colocou todos em estado de letargia. 

    Como os CTGs já começaram a encher, com churrascos, carreteiros e beberagens, agora até o dia 20 de setembro será assim, absolutamente assim. 


    A letargia não soube ser explorada. Se combate um processo letárgico com outro processo letárgico. Nunca tinha visto isto na história eleitoral de Santiago.

    Entramos numa zona nebulosa, de apatia partidária. Quem tinha que ousar e deferir uma estocada no rim do outro, parece nem ter mais força para erguer os braços. 

    Dizem esperar pelo fim da semana farroupilha. Então, se assim for, dia 21 de setembro, tudo recomeça. Pessoalmente, não acredito que tudo vai ficar como está. É a campanha mais sem vida, sem entusiasmo, apática, morna, que eu vejo nos últimos tempo em Santiago. 

    Não há empolgação. Não há mais paixão. Ou terminou a eleição ou ainda existem cartas na manga para um estardalhaço? 

    Não sei. 

    Só sei que tudo reina calmo, como a paz dos cemitérios. 





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  • 09/11/16--18:18: Letargia
  • Após ler minha postagem sobre a apatia geral que se abateu sobre o processo sucessório municipal, um amigo meu, que entende bastante de política, passou-me um fio. Diz ele discordar de mim, pois minha análise está correta, em parte. Segundo ele, o PP praticamente abandonou a campanha. Subiu no salto alto e o já ganhou tomou de todos. Segundo esse meu amigo, pode estar aí residindo um erro mortal. 

    Feito o registro. Não tenho monopólio da verdade. Apenas especulo. 

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    É só o que se fala nos bastidores da política local: o tamanho do comício do PMDB de Unistalda. Numa época em que os showmícios foram proibidos, poucos se arriscam a organizar um comício. Esse foi o caso de Maristela Genro Gessinger. Ela arriscou: e deu certíssimo. 

    O comício dela, de sua vice e dos vereadores do PMDB, foi o maior espetáculo de civismo. Para os os padrões de Unistalda, dizem que foi o maior comício da história do município.



    Maristela é uma guerreira, brava, destemida. Sua coragem e garra proporcionou esse espetáculo cívico, eivado de emoções, paixões;  e corações e mentes contagiados pela boa política, pela decência e pelo sonho de uma política nova e diferente. 

    Como só cheguei em Santigo no final da tarde, não pude prestigiar o comício, mas - com certeza - no próximo eu estarei. 

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  • 09/12/16--11:56: Pesquisas
  • Eu terminei uma Pesquisa, reservada e para consumo interno, de um Partido político de Capão do Cipó. É claro, a Pesquisa não será publicada. Há algumas eleições faço pesquisas no vizinho município e nunca errei nenhuma. Só que, dessa vez, estou com medo. Nunca tinha visto uma situação complexa. 

    Por outro lado, equipes de entrevistadores passaram o domingo nas casas de Santiago. Corre uma Pesquisa. Só não sei de quem é nem que é o contratante. Mas que tem gente tirando a febre, tem. 








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  • 09/12/16--18:37: ADEUS BARBELA
  • Antônio Manoel Gomes Palmeiro, popular Barbela
    Eu não gosto de noticiar sobre mortes. Mas essa do Barbela me deixou sem jeito. Era uma pessoa rara, um coração boníssimo. Morava no mesmo prédio da Dra. Karine Peixoto. Casualmente, eu e ela conversávamos ao celular. Eu, no Batista, ela, em casa. Barbela era paciente dela e há dias Karine me relatava sua preocupação com o vizinho e amigo. 

    Barbela é uma dessas pessoas raras, bondade a flor da pele, sarcástico, boa índole, bom humor. Santiago perde um dos seus filhos mais ilustres. 

    Escritor, tinha o dom da narrativa. Valorizava as coisas da terra, despojado de preconceitos, amante das artes, da literatura, da música e de antiguidades.Era a nobreza em pessoa. 

    Eu era amigo pessoal de Barbela. Mal acreditei quando Karine me falou sobre sua partida. 

    Uma lástima. Perdi um amigo. Embora eu admire como ele viveu e curtiu tudo tão intensamente em sua vida. 





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  • 09/12/16--18:37: Para falar comigo.
  • Devido ao meu trabalho no processo eleitoral, estou praticamente sem atender em meu escritório. Por isso, as pessoas que quiserem falar comigo poderão fazê-lo, usando esses números ou meu e-mail. 

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  • 09/12/16--19:36: Pesquisas
  • Estou sabendo que saem mais duas pesquisas eleitorais em Santiago. Pode ser que esquente esse clima apático. 



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    Desde ontem acompanho nas redes sociais, fechadas e abertas, críticas generalizadas a Instituição do Ministério Público devido ao fato de um promotor ter humilhado uma menor, vítima de abuso sexual. 

    Lembro-me de caso semelhante, aqui em nossa região, que envolvia um PM e a uma menor, na cidade da Mata. 

    Em ambos os casos e em qualquer dos casos, é preocupante a generalização que a opinião pública tende a fazer, especialmente em cima da Instituição. Ademais, não se pode perder de vista o trabalho abnegado, correto e justo praticado pelos demais promotores e - agora - pelo erro de um, julgar a todos, como se todos fossem responsáveis pela conduta de um. 

    O Ministério Público é uma instituição séria, quase todos os promotores que conheço são pessoas idôneas e responsáveis. Esse escárnio público, fomentado pelas redes sociais, é um erro grasso, seja contra a Instituição do Ministério Público, quanto dos seus quadros, Promotores e Procuradores e serventuários. 

    O perigo da generalização é justamente descontextualizar um caso e a partir desse caso isolado, partir para a generalização. 

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    Eu não assisto TV e nem tenho TV em casa. Leio notícias na internet; acompanho as agências locais e pelo site EU SOU JORNALISTA, sirvo-me do menu de jornais do mundo inteiro, embora tenha um foco em Israel e outro no Al Jazira. 

    Hoje, final de tarde, fui fazer um lanche aqui em frente ao Shopping, onde sempre tomo um copo de chocolate quente com bolinhos de queijos. A Nina fala pães de queijo. 

    Sento e espero o preparo do meu pedido. A TV ligada, no programa do DATENA, mostrava cenas e uma reportagem intercalada com um coronel da PM que abusava de sexualmente de bebês e crianças.

    Imediatamente, minha mente reconduziu-me ao filme mais horrendo e perturbador que assisti em toda a minha vida: Saló ou 120 dias de Sodoma. 

    Produzido por Pier Paolo Pasolini, a quem eu considero um dos maiores cineastas e roteiristas de cinema, Pasolini é também autor obras monumentais, tais como Édipo Rei, o Evangelho Segundo São Mateus, Mamma Roma, Medeia, Teorema, e também a Trilogia da Vida, que inclui Decamerão (dei o livro para a Dra. Carla Albuquerque), Contos de Canterbury e As Mil e Uma noites. 

    O cinema da casa de cultura Mário Quintana apresentava uma ou duas semanas somente com a obra de um cineasta. Era a semana da Kurosaua, Bergmann, Copolla...e foi na semana de Pasolini que tive o raro privilégio de assistir toda sua obra. 

    Pasoline traduzia para suas obras - sempre - suas posições político-ideológicas, era comunista, de formação marxista e anti-clerical. Até sua morte é envolta de mistério, que perdura, sempre que corre a boca pequena, entre os italianos, que sua morte foi mesmo encomendada pela Igreja.

    Esse filme: Saló ou 120 dias de Sodoma, é baseado numa obra de Marques de Sade. Sade é Sade e foi a própria Simone de Beauvoir que colocou em dúvida: até que ponto Sade praticava tudo o que escrevia ou até que ponto ele fantasiava?

    Afora a crítica da esposa de Jean Paul Sartre, a verdade é que o roteiro de Pasoline acabou gerando o mais controverso filme da história da sétima arte. 

    O filme comporta vários enfoques. Mas o eixo central é fixado na liberação dos instintos mais primitivos homem, tendo como epicentro a busca (infinita) do desejo sexual, com as perversões mais drásticas envolvendo orgias violentas, que culminam com a morte dos violentados. É claro, existe o lado bizarro do banquete com excrementos humanos, mas as atuações do bispo, do magistrado, do duque e do presidente, são centradas num ponto: a busca da pureza sexual.

    É nessa linha que se iniciam os estupros, começando com moças, crianças, meninas recém-nascidas e - finalmente - com o estupro de um feto feminino arrancado do ventre da mãe. 


    O filme que Passoline adaptou da obra de Sade, trás uma mensagem subliminar, que poucos atentam, que é a busca da pureza, ou que a mitologia consagrou como o sangue puro das virgens. Nenhuma novidade se adentrarmos em nosferatu e nos clássicos do vampirismo, embora Coppola, em Drácula de Bram Stoker,  tenha saído um pouco da linha do sangue de virgens e adentrado para uma história de amor dentro do misticismo espírita. 


    O estupro, nos clássicos de Medicina Legal, na psiquiatria e na psicanálise, não é nem de longe enfocado sob a ótica do vampirismo, que está mais o lado da lenda do que da realidade propriamente dita. Contudo, casos como esse de hoje, que foi ao ar no programa do Datena, do coronel que teria estuprado crianças, está associado a uma terrível perversão, a uma manifestação cruel dos instintos, uma busca de satisfação dos desejos através de pureza e da inocência. 

    A mensagem de Saló ou 120 dias de Sodoma é sobre a busca sem limites, sem freios morais, da pureza, ao ponto de não se satisfazerem com o estupro de uma recém-nascida, vão além, buscam a pureza do sangue virgem no feto. É algo assombroso e perturbador. 

    A importância dos freios morais do cristianismo e do judaísmo é justamente reprimir nossos instintos mais primitivos, seja na violência sexual, seja na violência física, com o desejo de morte da outra pessoa. Não sem razão, o foco da escolástica é uma injeção de culpa e de arrependimento, fazendo crer que uma instância moral e invisível pune os pecados da carne e da vida. O perigo da filosofia nietzschiana, que contaminou a Alemanha, ou parte dela, foi justamente o desenvolvimento de um sentido de vida sem noção de pecado e de arrependimento. Sem culpa, aliás, Dostoievski  já propugnava: Deus está morto

    Agir sem culpa, sem noção de arrependimento e sem noção de pecado, não quer dizer, necessariamente, que a pessoa tenha abdicado de sua condição humana. Inúmeras correntes filosóficas, inclusive deístas, entendem que sendo a busca do prazer, parte do instinto, não se configura pecado, erro, arrependimento ou culpa. Basta esses valores judaicos-cristãos serem extirpados dos nossos valores significantes, especialmente do hermético corpo bíblico, e teremos uma nova geração de pensamento. Aliás, geração que nunca deixou de existir. As notícias e os noticiários estão aí, do estupro ao incesto, da zoofilia ao dolismo, da necrofilia a cronoinversão. 

    A cultura de estupros coletivos que têm vindo à tona na Ìndia, por exemplo, é parte de uma cultura incorporada no juízo de valores morais da civilização hindu. Mesmo quando estudei Antropologia, no curso de Sociologia, lá se vão quase 30 anos, já era abordado a questão dos estupros coletivos na Índia. Agora, com o advento massivo das redes sociais e a facilidade de acesso à informação que a telemática nos proporciona, estamos, aqui no mundo judaico-cristão-ocidental,tomando ciência dos barbarismos praticados contra jovens e meninas.

    Mesmo no islamismo, em suas várias e multifacetadas interpretações, existe a cultura de extirpar o hímen da criança para ela não ter desejo sexual.

    Mas, em suma, o comportamento humano é mesmo muito complexo. Comporta variâncias e não podemos eleger um padrão como universal, embora a civilidade propugne por uma postura ética próxima ao aceitável. Da iniciação sexual, aos ritos e costumes familiares, uso das primeiras drogas, a escola e a transmissão de valores pelas religiões, tudo são adaptações. 

    Para compreender melhor a extensão da perversidade humana e sua ausência de limites, sem as noções de culpa, arrependimento e pecado, assistir Saló ou 120 dia de Sodoma, é um indicativo. 

    Se tivermos estômago. E cabeça.



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    Na noite passada, recebi a visita do amigo Dr. Paulo Bandeira, além da condição de Advogado, é também jornalista, da área de comunicação verbal. Com um belo e bem sucedido escritório em Porto Alegre, Paulo Bandeira foi âncora da Rádio Santiago e depois na Rádio Pampa de Porto Alegre. É dos ícones da nossa cultura radiofônica. 

    Pessoa inteligente, gosto muito de conversar com esse Ilustre amigo. 

    Logo após, fomos até o SUBSTÂNCIA, onde sempre tomo chocolate quente com bolinhos de queijo. 21.30, desliguei meu telefone e fui assistir ao filme JUDAH BEN-HUR, uma história de uma família judia que se vê envolvida num incidente com as forças legionárias do império romano. Paralelo a Ben-Hur, surge a figura de Jesus Cristo, longe do biótipo essênio, aparece na melhor estilização à Da Vinci, só não colocaram os olhos azuis. 

    O filme é fraco, enredo é pobre e não empolga. Tudo é lógico e previsível. No final, a força da bondade judaica prevalece e todos vivem felizes para sempre. O que mais importa é a magia do telão, o sistema digital e os efeitos especiais. 

    Depois do cinema, comi uma torrada e fui para casa. Apenas vi uma mensagem da Karine no meu celular. Era tarde, não respondi. Daí noto toda a avenida Júlio de Castilhos tomada de carros. Mal sabia que se tratava do início da semana farroupilha. 

    Eu, que moro ali atrás no QG, não achei lugar para estacionar. Mas, curioso, decidi ver os adesivos dos carros, se eram mais Tiago ou mais Guilherme. 

    Meu Deus, eu sou um sociólogo, sei sentir o empirismo, conheço os processos eleitorais locais. 

    Dei 3 voltas ao redor das centenas de carros de pessoas que estavam no CTG Coxilha de Ronda. O que a gente vê impressiona: não existem manifestações de adesões com adesivamento dos carros como se viam em eleições passadas. É um que outro Tiago, um que outro Guilherme, e do Bueno não se vê nada. 

    Há dias eu noto alguma coisa estranha no curso do processo eleitoral. Carros adesivados é da militância e candidatos. Carros que representam adesão propriamente dita, são poucos. 

    Ainda na mesma senda, segunda-feira a noite, eu fui até o Restaurante do Batista, especialmente por que eu sabia ter moqueca de peixe. Descendo, vi aquela fileira de carro de professores do Colégio Isaias. Antes, em eleições passadas, todos adesivados. Todos tinham posição. Agora, fiquei impressionado. Nenhum adesivado, exceto um Fiat Uno branco com um pequeno adesivo de Guilherme. 

    Pessoalmente, eu imagino que os professores vivam um dilema. Um contingente petista, deveria votar em Bueno, mas não acredita mais no partido e são contaminados com o angu todo da lava-jato, mensalão, petrolão ... Professores são sábios (só para agradar os que se acham). Sabem o que querem. Certamente não lhes agrada a campanha de Guilherme muito colado ao PMDB e a Sartori. O mesmo raciocínio devem fazer acerca do PP, que, por mais que Tiago se esforce em se desvincular do governo "que atrasa salários", os professores sabem que o PP integra o governo Sartori, tem secretárias e integra a base Sartori na Assembléia Legislativa. Deriva-se daí a indecisão geral. Certamente, no meio desse dilema, vão optar pelo menos ruim ou vão votar em branco ou anular o voto. 

    Creio que o reflexo disso que se vê no voto de opinião, está acontecendo em vários estamentos dentro das classes sociais de Santiago. E também se vê o mesmo impasse dentro de categoria profissionais, brigadianos, policiais civis, agentes penitenciários, exército, profissionais liberais, categorias profissionais,  servidores públicos de um modo em geral. 

    Acredito,  paira uma indefinição. Não sei bem para que lado vão se mover. Mas que existe uma indefinição que cheira apatia, existe. 

    Esse mesmo problema, contudo, não se identifica nos segmentos D e E da nossa estratificação social. E aí parece que reside o impasse de todo processo eleitoral. Esses, parecem, já têm posição. O cotejamento maior se dará nas classes A, B e C mais. A classe C menos tende a se alinhar com com a classe D e E. 

    Na minha cabeça, a eleição em Santiago já está definida e essa zona nebulosa da apatia comporta uma multifacetação de interpretações. São as leituras conjunturais que todos fazem, cada qual puxando brasa para seu assado.

    Guilherme tende e ser exitoso no interior e nas classes A e B. Isso está bem delineado. Contudo, o PP tem uma tradição histórica de vencer nas classes de D e E, onde Tiago tende a ser mais exitoso. O deslocamento da classe C mais e C menos é que vai fazer um grande diferencial, embora aos olhos de quem sabe ler a conjuntura e sentir o comportamento dos estamentos dentro das classes, a eleição em Santiago está claramente definida. 

    O resto é queimação de dinheiro, semana farroupilha, alegorias e fantasias, auto-apologia, comilança, beberagem, tudo em nome da tradição e do culto de um passado que ninguém sabe ao certo o que cultua ou porque rodam os CTGs. Mas vale a festa. Comida salgada, muita cerveja. Adoro ser gaúcho. Somos o máximo. O Estado mais politizado do Brasil, somos mais em tudo ... E Santiago é o centro do mundo, tudo gira em torno do nosso umbigo.



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